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História

A nutrição possui um papel muito importante na atualidade, mas você sabe a origem desse profissional?
Tudo começou por volta da metade do século XIX e início do século XX isso mesmo! A emergência do campo da Nutrição, seja como ciência, política social e/ou profissão, é um fenômeno relativamente recente.
No Brasil ela começa a aparecer por volta de 1930-1940. Mas, alguns autores usam como referência o livro de Eduardo Magalhães, Higiene Alimentar, publicado em 1908, outros, os estudos desenvolvidos, a partir de 1906, por Álvaro Osório de Almeida no campo da Fisiologia da Alimentação, você quem decide qual você prefere, por mim prefiro seguir o rumo dos acontecimentos que foram:
Nos primeiros anos da década de 1930, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo e, posteriormente, em Salvador e no Recife, duas correntes bem definidas e distintas da comunidade médica se uniram para a constituição do campo da Nutrição.
De um lado, a perspectiva biológica e do outro a perspectiva social. Os médicos com perspectiva biológica estavam interessados nos aspectos clínico-fisiológicos relacionados ao consumo e à utilização biológica dos nutrientes, os médicos tinham a atuação voltada para o individual o doente, a clínica, a fisiologia e o laboratório são eles: Franklin de Moura Campos, Paulo Santos, Dutra de Oliveira, Hélio Lourenço de Oliveira, Silva Mello, Olavo Rocha, Alexandre Moscoso, Salvio de Souza Mendonça e Salgado Filho. A partir de 1940 deram origem à Nutrição Clínica (Dietoterapia) que é considerada a especialização matriz do campo da Nutrição dentro do contexto mundial, direcionada para a prática de ações, de caráter individual, centradas no “alimento como agente de tratamento”, bem como originou a Nutrição Básica e Experimental, uma outra especialização, voltada ao desenvolvimento de pesquisas básicas de caráter experimental e laboratorial.

Já os médicos com perspectiva social estavam preocupados com aspectos relacionados à produção, à distribuição e ao consumo de alimentos pela população brasileira. Sua atuação era voltada para o coletivo, a população, a sociedade, a economia e a disponibilidade de alimentos, são citados: Heitor Annes Dias, Josué de Castro, Dante Costa, Thales de Azevedo, Peregrino Júnior, Seabra Velloso e Silva Telles. Essa comunidade médica a partir da década de 1940, deu origem à Alimentação Institucional (Alimentação Coletiva), também considerada como uma especialização matriz do campo da Nutrição, direcionada para a “administração no sentido de racionalização da alimentação” de coletividades sadias e enfermas, bem como, nos anos 1950-1960, originou a Nutrição em Saúde Pública, uma outra especialização, voltada ao desenvolvimento de ações de caráter coletivo “no sentido de contribuir para garantir que a produção e distribuição de alimentos seja adequada e acessível a todos os indivíduos da sociedade”. Utilizando desse princípio, em Pernambuco a partir dos primeiros anos da década de 1930, um considerável conjunto de estudos começou a ser desenvolvido por importantes intelectuais envolvidos na história da constituição do campo da Nutrição brasileira, entre os quais destacamos: Gilberto Freyre, Jamesson Ferreira Lima, Josué de Castro, Naíde Regueira Teodósio, Nelson Chaves, Orlando Parahym e Ruy Coutinho. Assim em 1932, sob a influência de Escudero, Josué de Castro realizava a pesquisa “As Condições de Vida das Classes Operárias no Recife”, era uma investigação baseada na metodologia de orçamento e padrão de consumo alimentar entre quinhentas famílias de três bairros operários desta cidade. Os resultados deste trabalho, considerado o primeiro inquérito dietético-nutricional do Brasil, tiveram ampla divulgação nacional, provocando a realização de estudos similares, inclusive daquele que serviu de base para a regulamentação da lei do salário mínimo e da formulação da chamada ração essencial mínima, estabelecida por intermédio do Decreto-Lei no 399, de 30 de abril de 1938. Não é fantástico? Um grande empurrão graças à nutrição!

Falemos agora um pouco sobre a formação desses profissionais, como era feita? Será que só os médicos é que podiam se especializar nessa nova área? Veremos…
A emergência do campo da Nutrição em Saúde Pública, no contexto internacional, ocorreu especificamente no interior de agências especializadas da Organização das Nações Unidas (ONU), tais como o United Nations International Children’s Emergency Fund (UNICEF), a Food and Agriculture Organization (FAO), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)
Mas a preocupação com a questão da alimentação e nutrição da população mundial (dentro de uma abordagem do coletivo) teve início com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial.
No Brasil o primeiro curso para formação de nutricionistas foi criado, em 1939, no Instituto de Higiene de São Paulo (atual Curso de Graduação em Nutrição do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo).
Mas como todo curso superior ele precisava de reconhecimento, e não foi fácil. A luta pelo reconhecimento do curso de nutricionista como de nível superior teve seu início por volta de 1952, quando não só os cursos até então existentes como também a ABN começaram a encaminhar ao Ministério da Educação os primeiros pedidos de reconhecimento. Após cerca de DEZ anos, é isso mesmo, após uma década através do Parecer nº 265, de 19 de outubro de 1962, o então Conselho Federal de Educação (CFE) reconheceu os Cursos de Nutricionistas como de nível superior, estabeleceu o primeiro currículo mínimo e fixou a duração de três anos para a formação de nutricionistas, a nível nacional.
A vida é cheia de lutas e a da nutrição não parou com o reconhecimento do curso, ainda faltava a luta pela regulamentação da profissão, que, por sua vez, teve seu desfecho positivo apenas em 24 de abril de 1967, quando foi sancionada a Lei nº 5.276, dispondo sobre a profissão de nutricionista, regulando o seu exercício e dando outras providências – instrumento legal que vigorou até 1991, quando foi revogada por uma nova legislação.
Agora o curso de nutrição foi se popularizando e atraindo cada vez mais pessoas. Na década de 1970 (1976 – 1984) a oferta dos cursos de nutrição no país teve um aumento de 279%. Com tamanha demanda alguém tinha que colocar ordem na casa! Foi então que, com a aprovação da Lei nº 6.583, de 20 de outubro de 1978 (publicada no Diário Oficial da União em 24/10/1978), a qual “cria os Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas, um órgão específico com a finalidade não apenas de fiscalizar o exercício da profissão, mas também de organizar, disciplinar e desenvolver a categoria e lutar pelos seus interesses. Assim como a Federação Brasileira das Associações de Nutricionistas (FEBRAN), entidade de caráter técnico-científico e cultural, criada em 1972. E também teve início o processo de criação das associações profissionais (ou pré-sindicais), as quais deram origem aos Sindicatos de Nutricionistas em vários Estados brasileiros.
Outros eventos importantes ocorrem entre 1985-2000. A criação da Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN), em 8 de junho de 1990, em substituição à FEBRAN, e, por fim, a aprovação da Lei nº 8234, de 17 de setembro de 1991 (publicada no Diário Oficial da União de 18 de setembro de 1991), a qual “regulamenta a profissão de nutricionista e determina outras providências”, revogando inclusive sua antecessora a Lei nº 5276/1967
E continuamos a crescer e crescer e crescer…
Nos últimos quinze anos o processo de expansão do número de Cursos de Nutrição foi muito mais intenso do que no período anterior, crescendo cerca de 342% com 106 cursos de nutrição no país até 31 de janeiro de 2000 e destes 106, 64 (60,4%) localizam-se na Região Sudeste; 23 (21,7%), na Região Sul; 8 (7,5%), na Região Nordeste; 8 (7,5%), na Região Centro-Oeste; e 3 (2,8%), na Região Norte . Além disso, o Estado de São Paulo lidera a relação com 42 (39,6%) do total de cursos, seguido pelos Estados do Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, os quais apresentam, respectivamente, 12 (11,3%), 12 (11,3%) e 9 (8,5%) deste total.
Imagine quantos formados. E não são poucos mesmo registrados até o ano de 2000 são pura e simplesmente 27834 profissionais, nos sete Conselhos Regionais existentes no país (Dados do Conselho Federal de Nutricionistas até 30 de junho de 2000, que hoje em dia possui nove Conselhos Regionais).
Agora eu pergunto: Mas para onde vai tanta gente? Eles estão por aí espalhados pelo país, os dez Estados brasileiros com as maiores concentrações de nutricionistas são:
São Paulo com 7524 (27,0%);
Rio de Janeiro com 5117 (18,4%);
Rio Grande do Sul com 4991 (17,9%);
Bahia com 1386 (5,0%);
Paraná com 1037 (3,7%);
Distrito Federal com 1008 (3,6%);
Minas Gerais com 913 (3,3%);
Pernambuco com 872 (3,1%);
Mato Grosso com 590 (2,1%);
Santa Catarina com 585 (2,1%)

Décadas depois do surgimento da Nutrição os contextos mudam e o perfil da população também, antes o foco eram as doenças carências como a desnutrição protéico-calórica, hipovitaminose A, pelagra, anemia ferropriva, etc. Que eram associadas às condições de “subdesenvolvimento”, de pobreza, de fome e de desigualdades. Na atualidade esse perfil vai sendo substituído por outro, o perfil das doenças nutricionais degenerativas como a obesidade, diabetes, dislipidemias, etc., ligadas às condições de “desenvolvimento” e de “modernidade” existentes no país e, por isso, novos dilemas e desafios são apresentados aos nutricionistas.
Seja nutricionista ou nutrólogo esses profissionais tem um grande e árduo trabalho pela frente, o desafio de uma nova Nutrição no século XXI, onde a preocupação com a desnutrição está cada vez menor e abrindo espaço para a obesidade. O desafio é contribuir para a superação desse paradoxo nutricional não só brasileiro, mas mundial.

Fonte: Scielo

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